Nanocosméticos: você conhece essa tecnologia?

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O Brasil ocupa a quarta posição do ranking mundial de países com maior número de consumidores de cosméticos. Produtos destinados a cuidados com a pele, com os cabelos, maquiagem, perfumes, produtos de higiene e desodorantes são os mais vendidos. Mas você sabe como a nanotecnologia impulsiona esse setor? Ou ainda, como as nanopartículas de prata podem trazer benefícios às formulações? Continue lendo e conheça os nanocosméticos!

Em cosméticos, a nanotecnologia proporciona diversos benefícios! Ela pode ser aplicada através do uso de dispersões contendo nanoemulsões e/ou nanopartículas lipídicas, usadas principalmente como carregadores de ingredientes ativos nos cosméticos. Mas também podem estar presentes através do uso de nanoformas insolúveis como, por exemplo, nanocápsulas poliméricas, e nanopartículas de carbono, titânia, sílica, prata, ouro, entre outros.

O uso de nanomateriais na indústria de cosméticos já está mundialmente consolidado, caracterizando o setor de nanocosméticos. A maioria dos produtos deste segmento são destinados a aplicação na pele com ação antienvelhecimento, anti-inflamatória e de fotoproteção. [1,2] 

O primeiro nanocosmético foi lançado no mercado em 1993. Tratava-se de um creme antienvelhecimento composto por nanocápsulas de vitamina E. Este lançamento marcou uma revolução para o setor e não demorou muito para que novos produtos baseados em nanotecnologia chegassem às prateleiras, principalmente na Europa.

O atrativo dos nanocosméticos

O principal atrativo? Criar ativos mais eficientes! Com foco no ganho de novas propriedades e melhor desempenho, a nanotecnlogia pemite o desenvovimento de formulações com ação potencializada. Bem como peformance superior em comparação com os cosméticos convencionais. [3]

Um exemplo bastante popular são os protetores solares. Nas últimas décadas, uma grande evolução pode ser observada nos produtos de fotoproteção. Eles se tornaram mais transparentes, com uma melhor textura para aplicação e maior eficiência em bloquear os raios ultravioleta. Tudo isso graças a nanotecnologia!

Isso mesmo! O dióxido de titânio, também conhecido como titânia, fazia parte da composição de diversos filtros solares devido sua capacidade refletir e bloquear a radiação ultravioleta. No entanto, trata-se de um pó branco, que deixava marcas esbranquiçadas na pele. Com o advento dos nanocosméticos, nanopartículas de titânia passaram a ser incorporadas nas formulações de filtros solares. Dessa forma, garante-se maior proteção a longo prazo, melhor estabilidade e transparência à luz visível, além de maior capacidade de espalhabilidade na pele e resistência a água. [4]

mão feminina passando protetor solar, um cosmético classificado como um dos nanocosméticos.

Benefícios das nanopartículas de prata em cosméticos

A incorporação de nanopartículas de prata em formulações cosméticas tem ganhado cada vez mais espaço no mercado, graças as suas propriedades antimicrobianas, antissépticas e anti-inflamatórias. Elas podem ser usadas como componente ativo em diversos produtos do setor como, por exemplo, cremes, hidratantes, sabonetes e xampus.

Visando as linhas dermatológicas, as nanopartículas de prata podem ser grandes aliadas no combate a diversas patologias. Por exemplo, elas possuem ação eficaz contra rosácea, foliculite, poros abertos e até mesmo alguns casos de dermatites atópicas. [5,6] Além disso, graças a sua atuação no combate a microrganismos, cosméticos com nanoprata podem ser usados no tratamento de feridas de decúbitos, auxiliando na cicatrização e prevenindo inflamações.[7] Outra vantagem é que a nanoprata é altamente eficientes no combate a acnes, uma vez que esta condição é provocada pela ação de bactérias que causam a inflamação dos poros. [5,6,7]  

Ação conservante em cosméticos

Além das funcionalidades citadas, as propriedades antimicrobianas das nanopartículas de prata as tornam excelentes para promover ação conservante às formulações cosméticas, aumentando a vida útil do produto.

A principal característica dos conservantes incorporados em cosméticos é ter uma potente ação antimicrobiana. Ou seja, deve ser capaz de inibir a proliferação de fungos e bactérias que podem causar doenças ou prejudicar o bom aspecto do cosmético. [8,9] Além disso, há outros fatores essenciais, como:

  • Efetividade a baixas concentrações para reduzir as chances de provocar irritações ou alergias em função da toxidade;
  • Alta estabilidade química, sendo capaz de resistir a variações de temperatura, pH, umidade e incidência de luz;
  • Ação antimicrobiana prolongada de forma que o combate aos microrganismos permaneça eficiente ao longo da vida útil dos cosméticos;
  • Compatibilidade com os demais componentes da formulação para que não tenham seu efeito anulado ou provoquem reações que alterem as propriedades organoléticas.

O alto desempenho da nanoprata

Em contrapartida as formulações convencionais de conservantes, a nanoprata apresenta desempenho muito superior. que vão desde a ação antimicrobiana em um amplo espectro, até a alta estabilidade química e compatibilidade. Abaixo segue uma tabela comparativa:

 ParabenosÁlcooisCompostos que
liberam formaldeído
Nanoprata
Concentração de uso0,8 %15% 0,6%0,0015%
Compatível com meio aquoso
Compatível com meio orgânico  
Hipoalergenicidade comprovada   
Elimina fungos✔*
Elimina bactérias
gram negativas
✔*
Elimina bactérias
gram positivas
Elimina bactérias super-resistentes   
Ação antiviral comprovada   
Princípio ativo
 não volátil
 
Suporta oscilação de temperatura 

São por esses motivos que os nanocosméticos, além de consolidados, são tendência no mercado. E você, vai ficar de fora dessa? Entre em contato com a nossa equipe de especialistas e descubra como potencializar os seus produtos com a nanotecnologia!

[1] NEVES, K. Nanotecnologia em cosméticos. Cosmetics & Toiletries, v. 20, jan-fev, p. 22, 2008.

[2] FRONZA, T.; GUTERRES, S.; POHLMANN, A.; TEIXEIRA, H. Nanocosméticos: Em Direção ao estabelecimento de Marcos Regulatórios. Porto Alegre: UFRGS, 2007.

[3] WORLD NANOTECHNOLOGY MARKET. An industry update. RNCOS. p.1-60, 2005.

[4] BAILLO, Vanessa Priscila; LIMA, Andréa Cristina de. Nanotecnologia aplicada à fotoproteção. Revista Brasileira de Farmácia, Rio de Janeiro, v. 93, n. 3, p.271-278, 2012.

[5] Shoseyov, O. and Levy, I. (2008) Nano BioTechnology, BioInspired Devices and Materials of the Future. 322. European Commission Public Health: Are Silver Nanoparticles Safe? Implications for Health, the Environment and Microbial Resistance.

[6] APPEL, Gerson. A Prata como princípio ativo para cosméticos. 2021. Disponível em: http://www.dermus.com.br/noticias/novidades/a-prata-como-principio-ativo-para-cosmeticos/. Acesso em: 26 maio 2021.

[7] IBRAHIM, Nur Atirah; ZAINI, Muhammad Abbas Ahmad. Nanomaterials in detergents and cosmetics products: the mechanisms and implications. Handbook Of Nanomaterials For Manufacturing Applications, [S.L.], p. 23-49, 2020. Elsevier. http://dx.doi.org/10.1016/b978-0-12-821381-0.00002-8.

[8] AMVI: TECNOLOGIA DA NATUREZA. Conservantes Cosméticos: qual o melhor: natural x sintético?. Qual o melhor: Natural x Sintético?. Disponível em: https://www.entreapele.com.br/post/2019/02/21/conservantes-cosmeticos-qual-o-melhor-natural-x-sintetico. Acesso em: 01 jun. 2021.

[9] INSUMO. Editora. Conservantes: cosméticos e perfumes. Disponível em: http://www.insumos.com.br/cosmeticos_e_perfumes/artigos/conservantes_n%2044.pdf. Acesso em: 24 maio 2021.

[10] BARROS, Cleber. Dicas de um formulador para evitar problemas no uso de conservantes em cosméticos. 2016. Disponível em: https://www.cleberbarros.com.br/conservantes-em-cosmeticos/. Acesso em: 24 maio 2021.

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