Agronegócio: conheça as contribuições da nanotecnologia

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O agronegócio é um dos setores de alto impacto na nossa economia. Engana-se quem acha ele está relacionado somente ao campo e a lavoura. Entretanto, apesar da sua consolidação, existem inúmeros problemas no setor que podem levar a diversos prejuízos, inclusive ambientais. Pensando nisso, a nanotecnologia surge como uma solução inteligente e inovadora. Vamos descobrir mais sobre esse assunto?

Você já ouviu a expressão “Brasil, o celeiro do mundo”? Ela surgiu durante o Estado Novo, período que se estende de 1937 a 1946, sob incentivo do então presidente Getúlio Vargas. Essa afirmação faz referência ao enorme potencial que o nosso país possui para o agronegócio.[1]

Segundo o IBGE, o Brasil detém 79 milhões de hectares em áreas plantadas. Além disso, é o maior produtor mundial de carne bovina, o quarto em produção de suínos e terceiro de frangos.[2] De acordo com um estimativa realizada pela ONU, ainda nesta década, podemos nos tornar o maior exportador mundial de produtos agrícolas.[3] Atualmente, ocupamos a terceira posição, estando atrás somente da China e dos Estados Unidos.

O agronegócio

Que o agronegócio é uma potencia no nosso país, acredito que já esteja claro. Mas, você sabe o que é o agronegócio? Ele diz respeito a todas as atividades econômicas que se relacionam de alguma forma com a produção e comercialização de produtos agrícolas.

Entretanto, se engana quem acha que esse segmento está restrito somente ao meio rural. Indústrias do ramo de fertilizantes, defensivos agrícolas, produtores de ração, frigoríficos, fabricantes de equipamentos, entre muitas outras, também estão incluídas no agronegócio.

Além disso, devido ao seu tamanho e constante crescimento, esse segmento pode ser dividido em três grupos:

  • Pré porteira: são as industrias que fornecem insumos para a produção, como os fertilizantes e defensivos agrícolas, além do maquinário;
  • Dentro da porteira: formado pelos produtores em si, sendo eles de pequeno, médio ou grande porte;
  • Pós porteira: faz referência aos processos de transporte, beneficiamento e tudo que for necessário até chegar no consumidor final.

Soluções nanotecnológicas

Agora que já temos noção da dimensão do agronegócio, podemos olhar para onde a nanotecnologia pode ser aplicada. E ela pode ser usada em quase todos os grupos que pertencem a este segmento, trazendo soluções inteligentes para dentro e fora da porteira. Não é atoa que, de acordo com a Embrapa, o agronegócio é uma das áreas onde o Brasil pode ter maior competitividade em nanotecnologia.[4]

Entre os inúmeros problemas e dificuldades enfrentados por esse segmento, pode-se citar as perdas pós colheita. De acordo com a Embrapa, elas representam 30% dos grãos colhidos.

Em função das condições, muitas vezes precárias, de transporte e armazenamento dos produtos agrícolas, muitos dos insumos acabam sofrendo com a deterioração bacteriana antes de chagarem ao consumidor final. Armazenados em um ambiente quente e úmido, como a carreta cheia de um caminhão, por exemplo, tem-se o cenário perfeito para a proliferação de microrganismos.

A tecnologia S3nano, através dos aditivos antimicrobianos, pode ser aplicada em revestimentos, tintas ou vernizes, que irão recobrir os caminhões ou silos de armazenamento. Dessa forma, poderíamos reduzir e até mesmo inibir a proliferação bacteriana.

Além disso, olhando para a agropecuária, essa mesma tecnologia pode ser aplicada para a proteção do animal e do agropecuarista. O seu uso em equipamentos que estão em contato direto com os animais e o produtor pode impedir a contaminação cruzada através da inibição da proliferação de vírus e bactérias.

Uma outra possibilidade está na aditivação das chapas poliméricas que ficam no chão dos criadouros, criando um ambiente mais seguro para a criação animal. Sem mencionar os frigoríficos, onde o uso da nanotecnologia pode beneficiar diretamente o consumidor final!

Vamos reduzir o uso de agrotóxicos?

Falando em agronegócio no Brasil, não tem como não mencionarmos os agrotóxicos. Atualmente, nosso pais é o maior consumidor mundial desses compostos. Também chamados de agroquímicos, esses insumos agrícolas são utilizados na produção, pastagens, armazenamento e beneficiamento. Entre outras finalidades, são usados como fungicidas, ou seja, aplicados para eliminar os fungos que provocam malefícios a produção.

trator aplicando fungicida em plantação, ação comum no agronegócio.
Trator aplicando fungicida na plantação.

Neste cenário, nanopartículas de prata podem atuar na substituição direta dos agrotóxicos, visto o seu alto potencial biocida. Estudos apontam que a nanoprata, na concentração de 6,25 μg/mL, possui capacidade inibitória para todas as estipes Aspergillus, inclusive aquelas produtores de aflatoxinas. Tais fungos infectam grãos e subprodutos utilizados na nutrição animal, caracterizando um grande problema para o setor. [5]

Além disso, diversos nematoides também podem ser combatidos através do uso da nanoprata. Ensaios de solo para cultivo de arroz indicam que a concentração de 3 µg/mL já é capaz de eliminar nemátodos M. graminicola, sem causar qualquer prejuízo a germinação das sementes ou ao crescimento da planta.[6] 

Outra possibilidade seria a aplicação da nanotecnologia associada aos tratamentos convencionais. Dessa forma, pode-se ter a liberação controlada dos agrotóxicos, melhorando a seletividade e estabilidade dos compostos. [7]

Além disso, ainda temos a possibilidade de explorar o universo dos fertilizantes. A nanotecnologia pode auxiliar nos processos de absorção dos micronutrientes necessários para o bom desenvolvido da planta. Estudos mostram que partículas nanométricas de ZnO, por exemplo, supriram a necessidade de zinco para plantações de arroz, além de melhorar o crescimento e rendimento da plantação.[7]

Você já ouviu falar em agricultura de precisão?

Todas essas possibilidades apontam para um dos maiores benefícios que a nanotecnologia pode nos proporcionar: a agricultura de precisão. Esse conceito está relacionado a alta eficiência dos compostos nanotecnológicas, mesmo sob baixas concentrações. Dessa forma, consegue-se o efeito biocida necessário, de forma mais eficaz, proporcionando uma redução do uso de agrotóxicos, um aumento na eficiência de fertilizantes, evitando ainda a formação de qualquer passivo ambiental.

Em linhas gerais, as possibilidades de aplicações da nanotecnologia no setor agro são inúmeras. Ela aparece como uma solução mais estável e segura, além de mais eficaz, contribuindo com os novos conceitos da agricultura de precisão por meio da redução do desperdício e perda de insumos por pragas na lavoura e consequentemente proporcionando um aumento da produtividade.

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[1] https://agrosaber.com.br/brasil-celeiro-do-mundo/
[2] https://thetricontinental.org/pt-pt/brasil/analise-sobre-a-producao-de-carnes-no-brasil/
[3] https://www.cnabrasil.org.br/noticias/pib-do-agronegocio-tem-crescimento-recorde-de-24-31-em-2020
[4] https://seer.sede.embrapa.br/index.php/RPA/article/view/551
[5] MENDES, J.E. Estudo in vitro da atividade antifúngica de nanopartículas de prata em fungos de armazenamento de soja (Glycine max). 2015. 157 f. Tese de Doutorado. Programa de Pós Graduação em Biotecnologia/ UFSCar, São Carlos/SP, Brasil
[6] Richa Baronia et al. Silver nanoparticles as a potential nematicide against Meloidogyne graminicola. 10.21307/jofnem-2020-002.

[7] Nanomaterials 2020, 10, 1654; doi:10.3390/nano10091654

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