Ativos nanoencapsulados para cosméticos

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Você já ouviu falar em HPPC? Essa sigla, apesar de pouco conhecida, faz referência a um segmento muito representativo da economia mundial: o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. Falando especificamente do mercado brasileiro, representamos cerca de 4,3% do consumo global, sendo o quarto maior mercado consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos (19,4%), da China (16,7%) e do Japão (6,2%).[1]

A constante ascensão deste mercado e o conhecimento a um click de distância trouxeram grandes mudanças no comportamento do consumidor. A facilidade na busca de informações tem deixado os consumidores exigentes. Dessa forma, não basta que os cosméticos desempenhem funções básicas, como tratar a pele ressecada, eles devem atuar com máxima eficiência através do desenvolvimento de formulações que minimizam a concentração de aditivos e com tecnologias ambientalmente amigáveis.

Pensando nisso, a nanotecnologia tem se tornado a maior aliada deste setor, permitindo superar diversas limitações que existem nos cosméticos tradicionais, como a sensibilidade de alguns princípios ativos frente a fatores externos (como a luz, por exemplo), a baixa solubilidade, permeabilidade e estabilidade de ativos, além do uso de ingredientes com propriedades únicas.

Vale lembrar que já comentamos aqui sobre os nanocosméticos, bem como a incorporação de nanopartículas de prata e partículas de ouro em formulações. Hoje falaremos sobre um universo de possibilidades dentro desse segmento: o nanoencapsulamento de ativos.

Conheça os nanoencapsulados

Os nanoencapsulados tem como princípio envolver e proteger ativos em cápsulas de tamanho nanométrico, desenvolvidos de diversos materiais, mas principalmente lipídios, polímeros naturais e/ou sintéticos. Essa tecnologia permite que as limitações dos ativos cosméticos convencionais sejam superadas. Não à toa que, atualmente, ela é vista como uma das técnicas mais promissoras dentro da nanotecnologia.[2]

Com os nanoencapsulados é possível aumentar a estabilidade, permeação e retenção cutânea do ativo. Além disso, eles possibilitam formulações com dispersões estáveis em meio aquoso de compostos insolúveis em água e ação combinada entre ativos. A exemplo, o ácido ascórbico, mais conhecido como Vitamina C, um ativo altamente reativo e instável, mas que quando nanoencapsulado melhora a sua estabilidade, além de potencializar seu efeito antioxidante para a pele.

Vale destacar que o princípio ativo é o composto responsável por executar a ação de interesse. Logo, toda a formulação cosmética deve ser desenvolvida com o intuito de maximizar a sua eficácia. Com o nanoencapsulamento do ativo, conseguimos atingir a otimização entre eficiência e composição.

Ademais, tais envoltos são também conhecidos como nanocarregadores de ativos, pela capacidade de transportar ativos nanoencapsulados. Além de permitir uma ação potencializada, devido a possibilidade de liberação controlada e/ou direcionada de ativos para locais ou células-alvo em específico.[2,3]

Nanoemulsões e nanopartículas lipídicas

Apesar do termo nanoencapsulado ser muito comum dentro do segmento cosmético, existem diferentes estruturas que podem ser empregadas como nanocarregadores de princípios ativos. Entre elas, destaca-se as nanoemulsões e as nanopartículas lipídicas.

Enquanto os nanoencapsulados consistem em uma cápsula que envolve o princípio ativo, as nanoemulsões descrevem sistemas líquidos termodinamicamente estáveis onde o composto de interesse coexiste com as demais fases.[3] Normalmente compostas por uma fase apolar, outra polar e um ou mais tensoativos, as nanoemulsões podem se organizar das seguintes maneiras:

  • Sistema de fase apolar disperso em fase polar;
  • Sistema de fase polar disperso em fase apolar;
  • Em única fase, onde os componentes coexistem em equilíbrio com o excesso de uma das fases, seja ela polar ou apolar.

Assim, é possível a coexistência estável de um princípio ativo oleoso (apolar) disperso em fase aquosa (polar), por exemplo.

Já as nanopartículas lipídicas são nanoesferas compostas por um núcleo lipídico sólido disperso numa fase aquosa, estabilizada por tensoativos. Assim como os nanoencapsulados, as nanopartículas lipídicas também podem receber um revestimento, adquirindo a estrutura de uma nanocápsula. Além disso, o carácter sólido da matriz proporciona estabilidade ao ativo, permitindo modificações no perfil de liberação e garantindo ação de longo prazo.[3,4]

Diferença entre nanocápsula, nanoemulsão e nanopartículas lipídicas sólidas.

Benefícios dos ativos nanoencapsulados

Apesar de termos falado das inúmeras vantagens de nanoencapsular ativos, você já se perguntou o que eles são?

Como comentamos, os princípios ativos são àqueles responsáveis por exercer a função de interesse do cosmético. Logo, eles podem ser qualquer composto que possua ação cosmética efetiva. Entre os inúmeros exemplos, trouxemos alguns de destaque, bem como os benefícios provocados quando são incorporados em formulações nanoencapsuladas. Confira:

AtivoBenefícios
Ácido HialurônicoPoderosa ação hidratante, promove elasticidade e suavidade à pele[5]
Óleo de NeemAção repelente com eficácia contra diferentes espécies, incluindo o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya[6]
Óleo de semente de uvaAção antioxidante, repara e fortalece a barreira mais externa da pele, intensa ação hidratante, utilizado no tratamento de estrias[7]
Óleo essencial de lavandaAção calmante e cicatrizante para a pele.
Vitamina CAção fotoprotetora, antioxidante e anti-inflamatória, favorece a microcirculação cutânea e promove a síntese de colágeno[4]
Vitamina EAção antioxidante, fotoprotetora, atua na manutenção da elasticidade cutânea e acelera o processo de cicatrização da pele[4]

Então, que tal se destacar dos demais e ultrapassar a barreira dos cosméticos tradicionais? Entre em contato com a nossa equipe de especialistas e descubra como incorporar os ativos nanoencapsulados em sua formulação!

1 COSMETIC INNOVATION. Vendas de HPPC no Brasil atingem R$ 124,5 bilhões em 2021. 2022. Disponível em: https://cosmeticinnovation.com.br/vendas-de-hppc-no-brasil-atingem-r-1245-bilhoes-em-2021/. Acesso em: 27 jul. 2022.
2 ZHOU, Hong; LUO, Dan; CHEN, Dan; TAN, XI; BAI, Xichen; LIU, Zhi; YANG, Xiangliang; LIU, Wei. Current Advances of Nanocarrier Technology-Based Active Cosmetic Ingredients for Beauty Applications. Clinical, Cosmetic And Investigational Dermatology, [S.L.], v. 14, p. 867-887, jul. 2021. Informa UK Limited.
3 APOLINÁRIO, Alexsandra; SALATA, Giovanna; BIANCO, Arthur; FUKUMORI, Claudio; LOPES, Luciana. ABRINDO A CAIXA DE PANDORA DOS NANOMEDICAMENTOS: há realmente muito mais espaço lá embaixo. Química Nova, [S.L.], v. 43, n. 2, p. 212-225, 2020. Sociedade Brasileira de Quimica (SBQ). http://dx.doi.org/10.21577/0100-4042.20170481.
4 SILVA, Diana Pinto da. Nanopartículas lipídicas: aplicações cosméticas. 2013. 56 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Farmácia, Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2013.
5 SPECIAL, Pharma. Ácido Hialurônico. São Paulo: Pharmaspecial Especialidades Químicas e Farmacêuticas Ltda, 2019. 3 p.
6 OLIVEIRA, Daniel Augusto Barra de. USO DO NEEM E SEUS COMPONENTES MOLECULARES NO CONTROLE DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI. Revista Científica do Itpac, Araguaína, v. 2, n. 8, p. 1-5, ago. 2005.
7 OLEGÁRIO, Lary Souza. Estudo prospectivo sobre óleo da semente de uva. In: ENCONTRO NORDESTINO DE ETNOBIOLOGIA E ETNOECOLOGIA, 1., 2015, Aracaju. Proceedings […] . [S.L.]: Isti, 2015. v. 3, p. 306-316.

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